Arquivo de Outubro, 2009

recebo cartas

escreve-me sempre.

conta-me as tuas histórias, os teus sonhos engendrados como teias construídas lentamente por aranhas negras e belas como o despontar da noite.

também eu sonhei um dia. havia pássaros nas tuas pernas e o teu olhar era como um farol que me guiava por todos os caminhos.

grafismo de m. almeida e sousa

alpha 2

alfabeto

muitos são os sinais que permanecem obscuros – distantes

sonoros
gráficos
gestuais

a apropriação

permite a construção de imagens poéticas com sinal aberto ao rito

alfabeto_confraria

alfabeto da confraria da alfarroba

alpha

alpha2

alfabeto de m. almeida e sous

as imagens (letras) cifradas preservam crenças
cada letra – tendo em conta o seu valor pictórico – tem uma relação próxima dos princípios da sexualidade

são imagens que correspondem a sonoridades
e
essas sonoridades a desejos expressos…


as letras são sagradas – possuidoras de ………………..

a carta que não (te) escrevi

letter

3 poemas visuais 3

caixa

costura

caligrafus

se

se
acompanhados de carros eléctricos  desvestidos por debaixo dos lençóis
as almofadas deixam-nos dormir

se
o telhado atrás do lavabo for demolido
uma cor patriótica será possível

se
o orifício fecal não for encerrado ao tráfico
o corpo renunciará digerir os amigos
……………………………………………………………………………………………..
……………………………………………………………………………………………..
……………………………………………………………………………………………..
……………………………………………………………………………………………..
……………………………………………………………………………………………..
……………………………………………………………………………………………..

o peito húmido será acariciado à frente duma cabeleira articulada

arrasto-me
arqueado sob o peso da carne

manif33

luzes nervosas

luz4-1

… e
outras luzes nervosas
para que sintas como o fósforo reclama dos teus versos

¿que passa?….

quando é que descobres a pessoa que és e te atreves a sê-lo
tudo flui em ti

colage4
só terás de deixar que aconteça

está no ar a revista triploV

Destacamos em triploV – do seu 2º número

vasos comunicantes Editorial | Maria Estela Guedes

Cripturas | Carlos M. Luís

MONDO – Literatura e Democracia | Emanuel Dimas Pimenta

Cruci-Fiction | Carlos M. Acabado

Dois vivos e um morto (vivo)| Nicolau Saião

Caligrafias (almeida e sousa) | Utopikus Cirkus

Gladys Mendía y la silenciosa desesperación del sueño | Valeria Zurano

Sombras raptadas – Imagens poéticas de Floriano Martins | Nicolau Saião

Panorama das livrarias em todo o Brasil | Mileide Flores

Quem não gosta de J.G. de Araújo Jorge? | Cunha de Leiradella

Liber Mundi | Paulo Brito e Abreu

Fabio Amaya: vida en la mancha | Sean Funes

Esboço de aproximação: obras portuguesas e africanas da hora | Maria Lúcia Dal Farra

Teatro Imposible: La poesía de Floriano Martins | David Cortés Cabán

La poética de la exactitud de Marcel Kemadjou | Gladys Mendía

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ciclo-texto/ciclo-imagem

os olhos mergulham
…………………………………………… fundo

os passos percorrem caminhos
…………………………………………… descobertos

os braços delimitam o mundo
…………………………………………… nu

as mãos perdem-se
…………………………………………… repletas

o beijo muda de direcção
…………………………………………… humedecido

a ausência inunda
…………………………………………… tudo

o nada ecoa
…………………………………………… surdo

a minha cabeça fervilha ………………………. de palavras
palavras que saem ………………………. de dentro
que correm ………………………. de mim

e

a gritar

quero devorar-te
ali

bicicletaA
no selim de tua bicicleta

… de um canhenho de notas mágicas

das páginas do canhenho de notas do mago ………. retirámos estas ilustrações

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e
enquanto cuidava da maquilhagem
reflectiu

ele …………………. fugiu
………………………… nu
ele
como relógios de olhos verdes
caiu
a gritar
nu
ele ………………….. caiu


como brinquedos assustados nas mãos duma criança

plágio surrealista

corpo_rec

sai à rua
sem destino ou horários
entrega-te às sensações do mundo urbano caminha sem rumo e muda de direcção quando bem entenderes
obedece apenas aos impulsos mais subjectivos
se conseguires o envolvimento que escapa aos parâmetros da objectividade
e
se te entregares ao acaso estarás a viver

uma autêntica experiência surrealista

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