Arquivo de Abril, 2010
2 poemas visuais
sonhei
tâmaras, azeitonas, nêsperas e alcachofras
noites atrás
cães, gatos, tempestades de areia
e
amores secretos
proibidos…
nestes sonhos reconstruí a imagem do teu corpo perdido entre romãs
e
percebi
o tempo devorou o meu almoço
sonhei as tuas pernas, sonhei relógios canibais, sonhei a fome que tenho de ti…
os túneis vagueiam ao sabor de balões coloridos
enchem o céu, as alamedas e os medos guardados nas gavetas…
gostava de sonhar piratas de barba ruiva (como a minha, há anos atrás) ou fantasmas sem cabeça…
amanhã
sonho gigantes e nuvens que passam os dias a descer dos céus para fazer coisas
como gente…
Comentários fechados
vídeo de marcel duchamp e john cage
Comentários fechados
gonçalo mattos foi passos manuel
acção de gonçalo mattos (aluno do Curso Profissional de Artes do Espectáculo e colaborador em projectos de Mandrágora) , na cerimónia de 24 de Abril – remodelação e requalificação do espaço escolar (Escola Secundária Passos Manuel – Lisboa) – Fotos da aluna Eunice Correia Ramalho – aqui
o nosso comentário dirigido ao gonçalo:
São tuas as fantasias mais dramáticas – porque as soubeste tornar maiores.
Ainda que… dispensáveis para alguns, os que não merecem ouvir o teu canto. Mas esses, não interessam.
No teu acto jamais se partiu a lira da unidade. Encarregaste-te, como poucos, de balbuciar essa estória até ao fim e sem a quebrar… sem a silenciar.
Fantástico!… estás de parabéns porque não é fácil domar aqueles olhares.
E tu domaste, porque foste grande.
musicas do domador2
Comentários fechados
músicas do domador
Comentários fechados
25 de abril… pois é. pois foi
I
a deusa está
bêbada
no santuário
e a transgressão faz a lei
era uma madrugada não muito fria. ainda assim madrugada. abril e, era soldado – deitado e, enrolado nos lençóis.
foi nesse estado de adormecimento que me disseram: – na rádio… na rádio dizem para os militares irem para os quartéis.
ouvi, eu próprio, a informação – rádio clube.
não fui. desobedeci às ordens.
se era golpe, queria ser espectador em liberdade.
adivinhava-se nova ditadura – o general, esse, conhecera-o em áfrica. o curriculum não era famoso.
cascais – lisboa de combóio e estaria no centro dos acontecimentos.
não… seria ir para a confusão.
muita gente, sabe-se sempre pouco. esperei.
e abril chegou
como um amante
como numa viagem d’acido
como num passeio agitado
como num poema de Rimbaud
como…
abril sempre. abril cravos. abril soldado. abril e depois maio e já não era eu militar, voltara a ser uma pessoa livre e com a guerra passada – não para trás das costas; as imagens ainda visitam (muitas vezes) os sonhos. a vigília…
e à agitação segue-se a esperança e à esperança a desilusão.
II
as manifestações do desejo podem escapar-nos
… porque rebeldes
ainda somos do tempo em que 20 escudos chegavam – o vinho corria do barril a jorros…
e a anarquia era um estado poético. apenas isso.
o passado era algo de desconhecido e os velhos “guerrilheiros” não davam sinal de vida. só os soube vivos muito depois.
até lá era o surrealismo o dadaísmo – um estar em estética. um estar poético/filosófico.
do engajamento político livrei-me.
sempre.
felizmente…
lia jarry, sade, rimbaud, vian, tzara, apollinaire, nietzsche, artaud para além das edições do pacheco.
lia o subterrâneo
o que se encontrava nas estantes mais negras das livrarias – o que escapava aos olhares dos bufos.
o teu sexo
floresce por entre as tábuas dum caixão
voltemos
meu amor
voltemos
ao calor da terra.
A mortalha é a roupa
os nossos corpos gozam a doce nudez
depois pintavam-se paredes; “nem deus nem chefes”…
depois, ainda, veio o pasquim. a livraria elefante circular ali para o bairro alto. o “situacionismo” e toda uma ressaca com mortes pelo meio.
e continuamos à espera do d. sebastião
do resultado do totobola
dum toque no telemóvel
mas já sabemos ir à net…
continuamos analfabetos, incultos, futebolisticos
temos fátima
centros comerciais
e muitos estádios novos
e é frustrante
e é uma chatice
e é uma merda
“olh’à merda!…”
estamos em 2010. abril, o abril de referência já era.
e
com Mário Henrique Leiria vos deixo: – O amor feito de noite/ ao som metálico/ de uma orquídea vermelha/ é a estrada uivante/ que se enrosca em tranças/ de animais marinhos.
raio x (3)
ah!…
permitam-me um toque da classe.
o meu fígado não pára de palpitar no desejo da redenção
ah!…
sinto um aperto no peito flamejante
e
flechas a perfurar os carinhos de lábios nus
não!
nem com a cabeça na guilhotina seguirei o carreiro dos pobres de espírito…
eu
sou um criador de lustres
quero iluminar a minha loucura
esta minha história está engatilhada no cérebro a disparar projécteis…
sempre na esperança de que alguma bala perfure de novo o coração.
Comentários fechados
raio x (2)
a trilha da perdição, decorada com pedrinhas meticulosamente desordenadas, exala segredos…
pinta-te no firmamento e tatua no meu peito o nome da beleza escondida nos teus ossos. os meus adivinham já a terra quente…
beijar-te-hei (como outrora) no porão do teu iate fantástico…
ah!… o teu tronco aconchega-se na perfeição no meu peito e a raiz do cipreste… afaga-nos o rosto.
as nossas memórias uivam (já) abraços e beijos
.
.
.
oferecemo-nos todos os dias a Hades
e
brincamos no palácio onde ele é rei soberano
Comentários fechados

































