Arquivo de Setembro, 2010

o livro!… (a não comprar)

e…
está aí a nova edição “bicicleta/domador de sonhos” (uma treta bué poética & bué experimental etc & tal).
o autor, por certo, deverá marcar para breve uma conferência à pressa para esclarecer os possíveis compradores da sua divina obra. a última.
chama-se a coisa “frente & costas”


lá dentro – uma peça super dramática de sua graça: “jogos proibidos num campo minado”
e
12 “poemas” 12
o autor de serviço é o manuel almeida e sousa que, segundo o nicolau saião, é um tipo “misto de pirata teatral e de benemérito ciclista das culturas Dada”.
diz, também, o joaquim simões sobre a coisa: – O visível surge do invisível e existe neste e por este. O invisível, por seu turno, existe no visível, alimenta-se dele. Se tudo fosse visível, não poderíamos falar em visível; se tudo fosse invisível, nada haveria que fosse algo para si.
O visível é a forma de consciência do Todo, que, por isso, não é visível nem invisível. Assim, o visível procura encontrar-se no invisível; o invisível, esse é a própria vida do visível. O Universo anima-se pelo que está para além dele.
Uma escultura vive na consciência de quem, vendo-a, a constrói pelas partes visíveis do seu todo, que lhe é invisível. A escultura existe do visível no invisível da consciência. A escultura vive em nós, que, de uns para os outros e com os outros, nos tornamos visíveis, aos poucos, do invisível de que nos formamos.
A linguagem fala pelo silêncio e do silêncio que a permite. Aponta, une, relaciona, descreve, desdobra-se e aponta para si mesma no não-dito.
As costas sugerem a frente, exigem-na; a frente faz suspeitar das costas, procurá-las. No perfil está e não está tudo, vê-se e não se vê tudo.
Esta colecção faz-se perfil na sua orientação gráfica. No resto é Frente e Costas, Frente e Costas, Frente e Costas… Como todos nós.

5 contributos para a compreensão de um poema

5 contributos para a compreensão de um poema fabril de kurt schwitters (Hannover, Alemanha 20 de Junho de 1887 – Ambleside, Reino Unido, 8 de Janeiro de 1948)

seguido da página da “revista merz” (publicada em 1924) que contém o poema

garfo-soneto com 2 moscas

espiral (movimentos poéticos)

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o ferro d’engomar

tudo … isto
………………….. entre sonhos delicados
………………….. entre frestas
………………….. entre brechas
para acalmar desejos

há dias em que
interpreto
as pautas dos sátiros

vê…
………………….. tenho os bolsos cheios de borboletas

recordando arteséries II (Faro)

A acção de
Mandrágora

homenagem a Mário Cesariny de Vasconcelos em Faro

projecto/acção construído para “ArteserieS” (Faro – 2009) por Mandrágora – actuantes: gonçalo mattos e manuel almeida e sousa

autografia

sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos seus braços
que atravessam agora o último glaciar da terra

o meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenado
à morte!
os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito que
existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
( antes de conhecer-te já eu te ia beijar a tua casa )
tenho um sol sobre a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínios mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
e eu o pico Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
a terra onde eu há milhares de anos vivo a parábola
do rei morto, do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente – tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris – já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião – não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais – também, já por cá
passaram.
Eu sou, no sentido mais enérgico da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde
passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnifica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha-férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
e é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-las semi-mortas à linha
E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti O Magnifico
na cama no espaço duma pedra em Lisboa-Os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais
nem
lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu
partido de manhã encontrado perdido entrelagos de incêndio e o teu retrato grande!

Mário Cesariny de Vasconcelos

mário cesariny de vasconcelos descansa o cigarro no ombro de manuel almeida e sousa quando da estreia de "memórias de um guerreiro" - espectáculo de "mandrágora" na galeria moçambique kultural de inácio matsinhe

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny


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arteséries – faro (recordando)

Mandrágora
em
ArteserieS

(performance de bruno vilão, m. almeida e sousa e gonçalo mattos)

Faro 9 de maio de 2009

sobre o evento ArteSerieS tenho a dizer que cumpriu, em faro, a proposta que – em nome de mandrágora – fiz a josé bivar;
um projecto que escorre alegremente à margem do instituído.
a proposta era arte
e
a arte foi cumprida sem medalhas nem comendas.
a arte foi, como deve ser, um grito independente.
e
as acções
sucederam-se
envolveram-se
aventuraram-se
por territórios de espanto e muito improviso

estar em faro na qualidade de fazedor de coisas – para uns
ou de alucinado – para outros
deu gozo
muito
sobretudo porque partilhei o espaço de acção (palco) com pessoas de quem gosto e muito considero
todos eles

ArteSerieS – assim baptizada pelo bivar – cumpriu

e
o próximo combóio é para apanhar no cais do sodré.

au revoir algarve!…
que vou até tavira.

manuel de almeida e sousa

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querem queimar 23 exemplares da “bicicleta”

o papa bactriaciclica XVI está louco!!!?.... vai queimar as nossas sagradas revistas. temos de actuar e já! a revolta segue a todo o vapor!!!!!

a indignação do mundo ciclista pela iniciativa do papa bactriaciclica XVI de queimar 23 revistas “bicicleta” (23=2+3=5), materializou-se ontem em tavira e outras 23 cidades do país. os manifestantes ameaçaram, mesmo, atacar bases militares do território.
em faro, pelo menos 10.000 manifestantes – liderados pelo sumo cardinal dr. bivar – participaram nos protestos à saída do templo ciclista (depois de ouvido o sermão que celebrou o primeiro dia do jejum da grande corrente).
na sequência desta acção popular, um dos manifestantes foi transportado de urgência para o hospital da cidade e vários ficaram feridos ao tentarem, com fundas artesanais, apedrejar um templo ciclista ortodoxo.
uma viragem de opinião de última hora não foi descartada… já que o tristemente célebre papa bactriaciclica XVI condiciona, agora, a sua fanática queima de exemplares da revista “bicicleta” a um encontro com o grandessissimo sacerdote alcor X (responsável pelo projecto de construção do centro cívico ciclista no lugar das duas maçãs de éris na zona zero).
com efeito, o papa bactriaciclica XVI pretende que o centro cívico não seja – aí – construído. o seu desejo é que, como qualquer ortodoxo, sobre as ruínas das bicicletas gémeas nada floresça…
segundo o papa bactriaciclica XVI (em conferência de imprensa e à pressa) o gradessíssimo sacerdote alcor X enviou-lhe, há momentos, um sms que rezava assim: “looool pq essa cena. tá se bem. o centro vai p lugar das 5 maçãs =) <3 (.)”

frente… & costas

frente… & costas é um novo projecto editorial BICICLETA/DOMADOR DE SONHOS…

acções poéticas e livros de artista… (coisas com tempero picante qb e fora dos circuitos instituídos)

o primeiro número (com leitura de frente para as costa e das costas para a frente) contará com uma peça dramática/poética (da frente) e poemas visuais (a partir das costas)… os originais são mesmo originais…!

desejam-se bons casamentos poéticos para as edições que hão-de vir – o primeiro entrará dentro de dias na oficina gráfica

da peça dramática (uma cena):

chove. entram Gonk e Berg com chapéus de chuva. um pássaro cruza a cena. ouve-se um cântico, segue-se um tiroteio… os dois actores lançam-se ao chão. rastejam com os guarda-chuva abertos à sua frente. uma oração religiosa em ritmo alucinante.

Gonk (aflito) – iber ull y sico roll.

Berg (no mesmo tom) – right  ull. ull… ull…

Gonk (gritando) – aos ia tica!?…

Berg (mais calmo, como se dominasse a situação) – elo sable el gen entos.

Gonk (gesticulando) – …la erza ade.
na ente comple erso, a rando turas…
(olha para todos os lados – medo)
e son erentes tes, tes…

Berg (indicando um dos lados da cena) – a erza olvo.

Gonk (evitando seguir na direcção indicada) – se en tra. ente za vital, ana…

Berg (cortante) – te cia za!…

Gonk (perplexo) – a ente?

Berg (empurra Gonk na direcção que antes indicara) – za gante. za gante!…

Gonk  (conformado) – tes de ver na ario, ber tes de ver…

Berg (preocupado) – dad. es ario ga.

(uma grande explosão. a cena escurece.)

da poesia visual (um poema):

salto

poemas com fósforos

poemas visuais de m. almeida e sousa

máquina para ler (inv. patafísica)

lisboa (instituto patafísico) – o gabinete de estudos avançadíssimos de tecnologias de ponta do “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” chefiado pelo professor doutor richiard -  assessorado pela superior catedrática isidra – acaba de testar uma revolucionária máquina.
segundo o grandesssissimo sátrapa, a máquina pode vir a ser extremamente útil “num futuro mais que próximo” – ela (a máquina, claro) permite que qualquer indivíduo, por menos letrado que seja, possa vir a ler com certa desenvoltura um livro.
o “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” deu a conhecer – através dos média – que os testes da sua máquina iriam ser realizados
e
que seriam aceites voluntários mediante uma prévia selecção…

muitos foram os candidatos.
poucos os seleccionados.

destacamos, no entanto, uma senhora professora da concorrência…
a senhora em causa confessou ao excelso catedrático que tinha dificuldades na leitura de canhenhos pedagógicos e outras publicações afins.
o teste foi eficaz. mais que eficaz. eficazissimo.
e
a senhora conseguiu em meia hora ler e compreender todos os compêndios (existentes no mercado livreiro) sobre essa controversa matéria. para além de se sentir já capaz de voltar a abraçar a pedagogia
- a pedagogia foi, sempre, para mim… como direi… uma paixão!
e
não mais disse

"a máqinha é simples. tem aquele aspecto cómodo de um secador de cabeleireiro... disse o digníssimo prof richiard

altissimos estudos patafísicos

Qu’est ce que la ’Pataphysique

La plus vaste et la plus profonde des Sciences, celle qui d’ailleurs les contient toutes en elle-même, qu’elles le veuillent ou non, la Pataphysique ou science des solutions imaginaires a été illustrée par Alfred Jarry dans l’admirable personne du Docteur Faustroll. Les Gestes et Opinions du Docteur Faustroll, pataphysicien, écrits en 1897-1898 et parus en 1911 (après la mort de Jarry) contiennent à la fois les Principes et les Fins de la Pataphysique, science du particulier, science de l’exception (étant bien entendu qu’il n’y a au monde que des exceptions, et que la «règle» est précisément une exception à l’exception ; quant à l’univers, Faustroll le définissait «ce qui est l’exception de soi».)

Cette Science, à laquelle Jarry avait voué sa vie, les hommes la pratiquent tous sans le savoir. Ils se passeraient plus facilement de respirer. Nous trouvons la Pataphysique dans les Sciences Exactes ou Inexactes (ce qu’on n’ose avouer), dans les Beaux-Arts et les Laids, dans les Activités et Inactivités Littéraires de toutes sortes. Ouvrez le journal, voyez la télévision, parlez : Pataphysique !

La Pataphysique est la substance même de ce monde.

(in: Novum Organum du Collège de ’Pataphysique)

a criação do “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” é uma realidade. já.
a sereníssima sub-comissão dos provedores gerais assim como as  transcomissões e satrapias apenas aguardam a tomada de posse dos excelsos catedráticos.
o “superior instituto de altos estudos patafísicos da nova lusitânia” estará apto a conferir os mais diversos títulos académicos aos seus estudantes…
a saber:
- bacharel titular em estudos patafísicos
- licenciatura-técnica em soluções imaginárias
- pós-graduação em máquinas de leitura (manipulação especializada)
- mestrados em alinhamentos e semi-virtualidades
- doutorados(mentos) em planos, círculos, excepções, plásticas, espirais, estéticas, seduções e outras formas e graças.
os grandesssissimos sátrapas e “enormissimos cornópios” (como diria cortázar) deste recanto europeu, foram já convidados.
aos nossos candidatos a estudiosos deste instituto publicamos aqui alguns documentos – trabalhos  de casa…

calendário perpétuo do dr. faustrol – permite-nos reconhecer as diversas festas supremas e também as do grande vaziu (comuns).

Festas Supremas – principais principais:
ONTOGÉNIE PATAPHYSIQUE
Festas Supremas principais secundárias:
NAVEGAÇÃO DO Dr FAUSTROLL
Festas Supremas secundárias:
FESTA DOS POLIEDROS
Festas Supremas de terceiro grau:
FESTA DA CANDEIA VERDE
Festas Supremas de quarto grau:
St Alambique – “o abstracto”

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