“Como conquistar a eterna bem-aventurança? Dizendo Dadá. Como ser célebre? Dizendo Dadá.”
(Hugo Ball)
Digo (ou grito) Dadá e deito-me na cama
disposto a conquistar a bem-aventurança
com um pé descalçado e uma mão sobre a pança
com um olho fechado e o outro que se derrama.
Pronuncio Dadá como quem já se inflama
como quem sobre um crespo oceano se balança
como quem não perdeu o estilo ou a confiança
e salta para a rua e não sucumbe ao drama.
Cheio de uma emoção que muito certamente
não vem de ser verão ou de eu estar somente
deitado a me lembrar do vento que cessou
pronuncio Dadá com cuidado e minúcia
sempre atencioso às sutilezas da pronúncia
(pois me falta a ventura e célebre não sou).
(Renato Suttana)





óptimo poema. Gosto. Muito.