BEM-AVENTURANÇA


hugo ball e emmy hennings

“Como conquistar a eterna bem-aventurança? Dizendo Dadá. Como ser célebre? Dizendo Dadá.”
(Hugo Ball)

Digo (ou grito) Dadá e deito-me na cama
disposto a conquistar a bem-aventurança
com um pé descalçado e uma mão sobre a pança
com um olho fechado e o outro que se derrama.

Pronuncio Dadá como quem já se inflama
como quem sobre um crespo oceano se balança
como quem não perdeu o estilo ou a confiança
e salta para a rua e não sucumbe ao drama.

Cheio de uma emoção que muito certamente
não vem de ser verão ou de eu estar somente
deitado a me lembrar do vento que cessou

pronuncio Dadá com cuidado e minúcia
sempre atencioso às sutilezas da pronúncia
(pois me falta a ventura e célebre não sou).

(Renato Suttana)

2 Comentários

  b bernardo escreveu @

óptimo poema. Gosto. Muito.

  Diógenes Pereira de Araújo escreveu @

APRECIEI MUITO SEUS DECASSÍLABOS,
MAS TAMBÉM ESTE, RENATO. PARABÉNS


Desculpe, o formulário de comentários está fechado neste momento.