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Poema pouco original do medo – Alexandre O’neill

Poema pouco original do medo

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
… de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

“Era uma vez 2 histórias de uma só vez” no Teatro Ibérico!…

uma produção de Mandrágora

Com: Eunice Correia, Gonçalo Mattos e Ricardo Oliveira


Encenação de: Manuel Almeida e Sousa

Era 1 vez 2 histórias de 1 só vez – o espectáculo de mandrágora estará em cena no Teatro Ibérico nos dias 26 de maio e 2 de junho (pelas 17:00 horas).

oportunidade para levar as crianças ao teatro > Teatro Ibérico – Rua de Xabregas 54  1900 Lisboa

clicar aqui para ver mapa da google (do Teatro Ibérico)

em fuga

da queda – na morte

marcha fúnebre de f. chopin (poema visual)

domador de sonhos

máquinas de costura – 2

 

 

máquinas poéticas… de costura

dedicadas ao meu amigo Bruno Vilão

 

 

 

 

anatomia de um espírito…

anatomia de um espírito….

o título… não interessa. é apenas um título.

com efeito tinha um poema mal comportado e desenhado

era este

feito especialmente para o dia mundial —-> o da poesia

o estilo – parece – é arejado/fresco

e

autobiográfico

e

hiper realista

e

surrealista

e

visual

tudo e de uma só penada

não veio na hora devida

porquê?

sei lá… há quem diga que isto não é poesia

precisamente

mas já cá está com atraso de uns dias

e

pronto

viva o dia mundial da poesia!

a revolta é um poema…

 

 

 

 

 

a verdadeira poesia está na rua…!
o resto…
precisamente. estamos fartos de poetas bem comportados…!

do corpo – movimento

 

 

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