Arquivo de à beira do fim
poetas do algarve na luz de tavira
as noites não são todas iguais. esta teve quatro fazes como a lua
tiago nené dialoga com a fé
e
o vitor… ali tão perto
o tiago, o manel, o rui dias simão, o esteves pinto
e
o braço do zé manel (antes do fado)
“o avanço tecnológico numa sociedade sem ética, a não ser do desenvolvimento e exploração a qualquer preço, torna-se numa ameaça ao mundo natural, à sobrevivência das espécies, inclusive a humana”… terá dito o bivar
e
o pessoal ouve enquanto o vitor se prepara para ler a “bicicleta”
o fadista enrola o seu cigarro (que o tempo não está de feição para luxos)
e
a joana olha para o bivar que parece falar – agora – sobre os poetas algarvios
o vitor lê (na “bicicleta”) o seu texto sobre uma performance de mandrágora em terras algarvias
e… cantou-se o fado
a fé olha sorridente o fim do repasto
fim de noite nas dobras dum cinzeiro
os poetas assoam o nariz nos travesseiros
ignoram os naufrágios de bicicletas
calculam certezas no iluminado torreão
a poesia alimentou o estômago
como uma navalha
como um grito escondido na memória
mas…
bem regada com vinhos a propósito
e
a despropósito
os poetas a sul
devoraram saladas
pois…
foi mais ou menos isso
mais para o mais
que para o menos
e
cantou-se o fado
que o pessoal inté é aristocrata…
disse-o o zé
isto foi ontem – amanhã há mais
se der…
e
preparamos já o percurso rumo a andaluzia
imagens algarvias – é!… de qualidade….
de muita qualidade
disse ela
e
eu ri
só ri
então
iminências encardidas cruzaram o espaço.
pararam…
ouvem-se, agora, cânticos de louvor tardio.
a qualidade é o nosso imaginário
ainda que não haja
quem a certifique ou aprove…
- dos fios de luz pendem ossos e veias!…
para melhor compreender a
qualidade…
dos ouvidos do artista solta-se um fumo branco que causa cegueira súbita aos restantes protagonistas… uma nuvem de fumo de alta qualidade.
- não posso deixar de assobiar e…
aí vou
girar qualquer coisa entre os dedos…
pode ser
pode ser
a qualidade.
não há ninguém por perto. nem longe… apenas qualidade ainda que duvidosa
tem de haver qualidade
disse ela
não ri
apenas olhei
analisei o rótulo
e
com efeito estava fora de prazo
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rasgar a carne
rasgar a carne
e
mexer com a colher todas as imagens num instante
a poesia está na rua
os poetas que fritem – no óleo dos carapaus – os seus sonetos bem comportados
adoramos o cheiro a pólvora
há sempre os que têm medo de não voltar
é…
a mente desintegrou-se
transpira-se uma fadiga de mais um ano de trabalho
e
vamos perdendo controlo sobre o pêndulo que transportámos
são os cigarros que marcam o tempo
faltam-nos relógios
depois de teres uma vida cheia de nada, acaba com ela!…
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reflexões… digitais
o precioso bisturi dos fonemas
lançou-se sobre os criadores de ostras da cidade
e
os seus hábitos foram rasgados pelos cornos dos touros
os seus hábitos foram rasgados pelo marfim de tuas pernas
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…………………………………………… brancas
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palavras/cartas
às pedras da noite
pronunciai as palavras
as que desenham a grande chave
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questões colocadas
se oportunidade tenho de fazer grandes coisas…
… opto sempre por fazer coisas pequenas.
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vou acariciar as cordas do estendal da roupa
hei-de ser mastigado com suavidade
as feras que sentiram as caricias de minha língua compartilharam os mesmos lençóis
numa quietude
quase desesperante



























