Arquivo de theatrum

“Era uma vez 2 histórias de uma só vez” no Teatro Ibérico!…

uma produção de Mandrágora

Com: Eunice Correia, Gonçalo Mattos e Ricardo Oliveira


Encenação de: Manuel Almeida e Sousa

Era 1 vez 2 histórias de 1 só vez – o espectáculo de mandrágora estará em cena no Teatro Ibérico nos dias 26 de maio e 2 de junho (pelas 17:00 horas).

oportunidade para levar as crianças ao teatro > Teatro Ibérico – Rua de Xabregas 54  1900 Lisboa

clicar aqui para ver mapa da google (do Teatro Ibérico)

todos os dias são do teatro

MENSAGEM DO DIA MUNDIAL DO TEATRO 2012
De: JOHN MALKOVICH

Fico honrado por o ITI – Instituto Internacional do Teatro me ter pedido para fazer este discurso comemorativo do 50º aniversário do Dia Mundial do Teatro. Vou então dirigir estes breves comentários aos meus companheiros de teatro, meus pares e meus camaradas.

Que o vosso trabalho possa ser apaixonante e original. Que ele possa ser profundo, comovente, contemplativo, e único. Que ele nos ajude a reflectir sobre a questão do que significa ser humano, e que esta reflexão seja guiada pelo coração, sinceridade, candura, e charme. Que consigam ultrapassar a adversidade, a censura, a pobreza e o niilismo, que muitos de entre vós serão obrigados a enfrentar. Que sejam abençoados com o talento e rigor para nos ensinar sobre o batimento do coração humano, em toda a sua complexidade, e com a humildade e curiosidade que faça disto o  trabalho da vossa vida. E que o melhor de vós próprios – porque só poderá ser o melhor de vós próprios , e mesmo assim apenas em raros e breves momentos – consiga definir a mais fundamental questão “como vivemos nós?”

Desejo sinceramente que o consigam.

e… citando antonin artaud

“Como a peste, o teatro é, portanto, uma formidável convocação de forças que conduz o espírito, pelo exemplo, à origem de seus conflitos”

“O teatro, como a peste, é feito à imagem dessa carnificina, dessa essencial separação. Desenrola conflitos, liberta forças, acciona possibilidades, e se essas possibilidades e essas forças são regras, a culpa não é da peste ou do teatro, mas da vida”

“tanto a alquimia quanto o teatro são artes por assim dizer virtuais e que carregam em si tanto a sua finalidade quanto sua realidade”

“através dos meios seguros, que a sensibilidade seja colocada num estado de percepção mais aprofundada e mais apurada, é esse o objectivo da magia e dos ritos, dos quais o teatro é apenas um reflexo”

o estrume

 

 

o senhor lagarto lança os seus garfos no teclado para alimentar o homem bicicleta
e
dispara imprecações

- ori gui ohkum
ori gui ohkul
ori ori ori
kim kim kim
onde estás tu?
onde estás tu?
tu…?

disse o homem bicicleta
e
o senhor lagarto acariciando as cordas do estendal da roupa
só diz

- ortra k’tam
orta k’tam
a cega dilatação do ventre cósmico…
recebe-nos
abraça-nos
nesta assombrosa cova onde a luz habita

a senhora biblioteca, estupefacta, oculta os seus pés d’anjo…
e
corre pelo campo de espigas

- um cavalo negro
um homem pintado de branco
um livro roxo
e
um telefone vermelho
……………….. a chamar…. a chamar…
o tratado de fisiognomia

então
o senhor lagarto atravessa a subtil fronteira…

- ih!… ip.
instantânea expressão
ih!… ip.
instantânea impressão
oh!
digital é a impressão instantânea…
sobre o papel metalizado de que tanto gostas

a senhora biblioteca move, agora, os pés
e
escorrega nos odores que marcam o cadenciado esquecimento

- apenas para ressaltar
o calor
o ardor
e
as fomes vermelhas
que gotejam das comissuras da carne

o homem bicicleta leva a navalha à incipiente barba púbica
e
devora um naco de queijo e algumas batatas

ah!
ah!
qu’importa
t’importa
a porta
t’exporta
oh!
oh!
não me deixes à porta

a senhora biblioteca trinca suavemente um poema

- formoso brocado
como te abres ao tempo…

e
o senhor lagarto atravessa a avenida
passeia o seu orgulho

- ops… ops…
sou o animal desventrado
sou aquele
que te abre as portas nas entranhas da terra
e
da minha testa brota a ferida luminosa do tempo

a senhora biblioteca roda sobre si mesma como se fora uma serpentina:

- o teclado…
hip… hip… ship…
vic hip zip
zip olé niiiiiiiiiiiiiiiiiiil
… põe todos os sentidos
em tensão

ressoam os sinos e os nossos heróis arrastam as pautas
cantam

- aterradora beleza
a deste retábulo
aterradora beleza
a desse estrume
aterradora beleza
esses latidos ao longe
pois… pois…
eh eh eh…
somos tão simpáticos…

gonçalo mattos foi passos manuel

acção de gonçalo mattos (aluno do Curso Profissional de Artes do Espectáculo e colaborador em projectos de Mandrágora) , na cerimónia de 24 de Abril – remodelação e requalificação do espaço escolar (Escola Secundária Passos Manuel – Lisboa) – Fotos da aluna Eunice Correia Ramalho – aqui

gonçalo mattos foi um excelente... "PASSOS MANUEL" na inauguração do velho LYCEU agora remodelado

o nosso comentário dirigido ao gonçalo:

São tuas as fantasias mais dramáticas – porque as soubeste tornar maiores.

Ainda que… dispensáveis para alguns, os que não merecem ouvir o teu canto. Mas esses, não interessam.

No teu acto jamais se partiu a lira da unidade. Encarregaste-te, como poucos, de balbuciar essa estória até ao fim e sem a quebrar… sem a silenciar.
Fantástico!… estás de parabéns porque não é fácil domar aqueles olhares.

E tu domaste, porque foste grande.


no dia mundial do teatro


… e de agora em diante dedicarei-me-ei exclusivamente
ao teatro
tal como o imagino
um teatro de sangue
um teatro que em cada representação será feito algo
corporalmente
para aqueles que representam

e também para aqueles que vêm ver representar

tive uma visão esta tarde – vi aqueles que me seguirão e que ainda não estão completamente encarnados porque os porcos, como aquele do restaurante de ontem à noite, comem demais
Alguns comem demais – outros, como eu, não conseguem comer sem cuspir.
Todo seu
Antonin Artaud (in: “para acabar de vez com o juízo de deus”)

era o theatro… relíquias

a luz… & o “teact(r)o”

um frio que, associado à luz da manhã, se converte em símbolo de um límpido e inaugural olhar sobre o mundo

I

o percurso que conduz ao movimento, que leva o actor a compreender a linguagem em jogo, produz-se pela via dos sentidos ao submeter-se espontânea e cuidadosamente a estímulos diversos que lhe permitam observar as reacções naturais do corpo – enquanto organismo – através de um trabalho com ritmo, com materiais, com o som ou, com a cor
e
para que possa entender a dinâmica de um som ou uma cor determinada, é elemento fundamental
a luz.
aquela luz que adquire formas num diálogo com o espaço, com o movimento – a luz que sublinha a imagem que se quer transmitir ao espectador.
a luz e a penumbra jogam.
permitem apontamentos que recriam o abismo, o precipício (onde o movimento se perde nos limites do espaço) – apontamentos que confundem e surpreendem o espectador.
e
é o olhar do “artista” – enquanto operador do processo – que lhe dá dimensão.
as regras podem ser subvertidas (alteradas) pela luz. a exploração dos efeitos podem permitir verdadeiras esculturas luminosas – misturas de tons…

de uma forma geral utiliza-se a luz para iluminar objectos, actores…
poucas são as vezes em que se considera a luz em si.
daí que não experimentemos, tomemos partido do seu real poder. aquele poder que nos permite o entendimento da dinâmica de uma cor determinada ou dos materiais utilizados na acção…
a luz que nos ajuda a sentir o tempo.
- a chuva, o vento…
não a luz enquanto mera experiência cientifica ou espiritual – falamos da luz como contributo cultural (porque estético) que permite a viagem por entre acções que implicam o drama em espaço físico dinâmico e liberto.
um espaço que “exige seja ocupado e que permita uma linguagem própria e concreta” como diria antonin artaud.
portanto, a luz é contributo incontestável para a concepção de um espaço de diálogo, aberto aos sentidos. um espaço independente e livre de qualquer imposição, aberto a toda e qualquer linguagem. aberto à espontaneidade e à criatividade que irrompe do corpo (todo) do actor – do sacerdote do ritual. do drama.

II

deve-se, pois, olhar a luz como algo que – como na aproximação dos faróis de um carro que nos pode atropelar – nos faz ficar imóveis e deslumbrados.
então
devolvemos ao espectador o que ele transporta consigo
devolvemos ao espectador uma obra que provoca – um despertar

III

muitas experiências religiosas explicam-se utilizando um vocabulário de vazios de luz – mas a arte pode e deve conduzir o homem ao espiritual não necessariamente religioso.
e
o espiritual tem sido historicamente o objectivo e o território da arte.
as religiões usam e abusam da arte para se aproximarem do terreno e a arte deve fazer crescer o espectador ou pelo menos recordar coisas para além do visual e do terreno…
e,
ao mesmo tempo,
o operador do processo sabe que os sentidos podem evocar a espiritualidade mas não nos transportam necessariamente para aí. não será esse o objectivo primeiro.

IV

com a luz as regras mudam – a mistura dos tons luminosos não é um projecto espiritual ou cientifico é educação, é cultura.
a luz é embrionária – nos passados séculos não havia instrumentos musicais sofisticados e foram possíveis grandes sinfonias. ter à disposição instrumentos, não implica boa música… – obtemos melhor luz quando dispomos de um bom olhar
e
material (apenas) aceitável.

MAS 2008

do corpo… (sequência2)

THERE ARE COOL THINGS

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VOZ – Para vossa segurança, pedimos o favor de não forçarem as portas.

Som de comboio que passa.

Voz – We all like the fact that there are cool things: shows… festivals…

projecta-se no solo a imagem de uma jovem semi-nua, depois um grande estrondo seguido de um quebrar de vidros. um homem está suspenso no ar. uma máquina de costura faz a sua entrada em cena atravessando nuvens de fumo.

HOMEM SUSPENSO – Organizar estas novidades, será fácil.
MÁQUINA- Mais fácil… o meu amor por ti.

O palco cobre-se de espuma, homem e máquina envolvem-se num acto erótico.


jetaime

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construções de verão – agosto de 2009

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