os crocodilos de todos os dias


0

Ahora es tarde
Ahora ya nada será como antes
Ahora te quiero
Ahora hablaré con el reloj de mi abuelo
Ahora hablaré con la máquina de coser de mi tia
En estos tiempos hay que estar muy seguro

cuéntame el sueño que guardas en tu corazón

Ahora!…

1

perco todos os dias eléctricos e
todos os dias a máquina de escrever me dita uma frase
todos os dias perco o emprego

e
o amor cresce-me entre as pernas mal te vejo
os crocodilos de todos os dias
me devoram e
todos os dias renasço primaveras

as pernas (essas) soltam-se dia sim dia não
parece-te bem?

Mejor así!
Vale.
Lo contempla emocionado.
Rompe a llorar.
Es que, quizá me falta gracia.
Lo siento.

2
contemplando a identidade na poeira do tempo
deleitam-se
palavra a palavra
o caminho é penoso

o teu sangue é um líquido que me devora
temos tudo a ganhar nesta história

mascaras

3

sob o sol de maio
as torneiras pingam perigosamente novas vias

o desespero coagula
não as palavras
mas o resto
abraçamo-nos longamente
e               o mel escorre pela madrugada

4

em cada semente medito
como ganhar todos os momentos explosivos do teu movimento
como possuir cada parte obscena de ti
cada parte do teu corpo
explorada pelos meus olhos

como duas rajadas
numa agressão lúcida e explosiva

5

até ao gume
– espetamos os nossos corpos na espessa noite
até ao gume
até ao gume
– espetamos face a face
nossos corpos como arbustos

até ao gume
– corpos nus e plenos de desejo brilham
num acto de posse
na desordem deste amor
o vento devora as palavras e
os pássaros do meio dia gritam a nossa carne

profundamente