clarificando


o mundo é o mundo. tão só isso.
e as personagens dão-lhe vida.

numa das entradas recentes deste blogue, destaquei duas personagens que viveram os últimos dias de uma monarquia autoritária (leia-se ditatorial)
e foram protagonistas num acto de (segundo muitos) violência.

não fora os comentários recebidos por essa nova via de comunicação – email – esta nova entrada seria injustificada.
falei e enalteci as figuras de manuel buíça e alfredo costa. criei um plano gráfico de 8 imagens (4 para cada um deles) a partir de duas fotos da época (as mais divulgadas na net).
não quis celebrar nada. não celebro eventos… antes, homenageei (ou quis homenagear) dois homens que feriram de morte os símbolos do autoritarismo
e
esses símbolos eram, por acaso, um rei e um príncipe – mas poderia ser um presidente de república… ou não?
homenageei duas personagens que acreditavam na liberdade e na dignidade do homem. tão só isso.
buíça e costa são merecedores dessa homenagem pela coragem, convicção e dedicação a uma causa (a qual os levou à morte).
o regime jamais homenagearia
o regime não os merece
o regime envergonha-se deles… daí que: – “o regicídio está fora das comemorações do centenário da república”
mas o regime não se envergonha de ter traído a sua memória desde que tomou as rédeas do poder…
os regimes (todos os regimes) não se cansam de nos vampirizar…
e não se envergonham

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a tua sugestão… foi cumprida


olho-me nos teus olhos
e
descubro o teu olhar

os meus pensamentos vagueiam
e
encontro o teu sorriso

passeámo-nos por outros tempos
por outros sonhos
por outras lágrimas
e
alcançámo-nos

e

ainda que não nos tenhamos
não nos perdemos

por vezes
não sei quantas vezes
olhámos o passado
e
podemos imaginar o futuro

uma subtil lágrima desperta nos meus olhos
é que ás vezes
não sei quantas vezes

olho-me nos teus olhos

igreja santa e velocipédica


a deusa disse: – “as horas são velozes…”
e
mais disse: – “o inferno é azul”.
disse-o e, nós crentes, só pelo facto de o ter dito – aceitamos.
só podemos aceitar.
uma maçã caiu
e
uma explosão de discórdia se fez sentir. foi nesse momento que os relógios inverteram o sentido dos seus ponteiros e impuseram um novo ritmo.

– “somos uns viciados em bolsos…” disse o papa jonas ao abrir o novo templo ao culto ciclista.
e
a nossa senhora das bicicletas fez uma nova aparição – todos levantaram as mãos ao céu
e
a grande senhora nomeou os seus 23 papas ciclistas (porque 23=2+3=5).

não. a santa igreja das bicicletas não é uma cisão (de maneira nenhuma) da doutrina discordiana.
não.
a santa igreja das bicicletas é, tão só, um templo, uma loja, uma venda, uma tasca que obedece ao rito vanguardista/velocipédico dos 5 elementos – a saber:
volante
roda
pedal
selim
campainha

daí se infere que a santa igreja das bicicletas é una e indivisível – logo verdadeira
e
braço/ramo da grande árvore discordiana: a macieira
(precisamente. essa macieira a que o papa jonas e todos os outros papas nossos,  recorem para o encosto dos seus velocipédicos instrumentos de culto)

“quando a luz se desfaz… sentimos o poder da luz
e
as trevas abandonam, num repente, os nossos corpos”

(in livrociclo fnord II, ver-cíclo XXIII: “o do percurso das 5 virtudes”)

os nossos evangelhos não foram escritos pelos doutos e sapientes sacerdotes.
os doutos e sapientes sacerdotes da velocipédica e santa igreja são meros  guardiões
e
veículos de transmissão da grande deusa éris e sua santa “irmãzinha” a nossa senhora das bicicletas.
e foi assim que o papa jonas concebeu o grande tarot discordiano
e foi assim que o papa affi escreveu o apocalipse da discórdia

no apocalipse da discórdia há 5 cavaleiros. 5 grandes espíritos prontos a gerar o kaos II – porque primeiro foi o kaos I e no fim dos tempos o kaos regressará – será então o kaos II…
pois
precisamente
e
é por isso que o nosso templo é um phalo.
um belo phalo que se eleva na direcção dos céus.
um phalo enorme que se abre na base aos fiéis da grande maçã.

os ciclistas, porém, passeiam-se em torno do templo
e
a deusa excita-se (muito) ao sentir os rodados dos instrumentos velocipédicos dos fiéis no terreiro.

mas voltando aos 5 cavaleiros apocalípticos… eles vão surgir para gerar o kaos final (segundo reza a epístola de affi – papa discordiano e mago kaoísta).
eles vão aparecer do nada, montados nos seus motociclos
e então…
só então
o tempo sofrerá uma paragem de não tempo.
o tempo deixa de ser tempo
e
não mais haverá tempo para nada.
os comboios não mais cumprirão horários, os transportes públicos e…
bom, vocês nem calculam o que vai ser o kaos II.
o kaos II (o da banana), é uma foda total.
depois do kaos II, virá o kaos III (o do melão) e o kaos IV (o das uvas)
e
só muito depois
o grande kaos V…
ora o kaos V, é o nosso kaos, o único kaos verdadeiro.
é o kaos ciclista, o caos onde todas as manhãs vão chover maçãs para que os fiéis se alimentem pelo conhecimento.
para ficarem mais espertos – porque adquirem o conhecimento empacotado na maçã.
e
todos seremos mais saudáveis porque comemos as maçãs
do e no kaos
da e na discórdia…
é…
todas essas merdas, vêm nas escrituras.

então… muito felizes, comeremos perdizes e cantaremos em coro:

todas as manhãs
comemos maçãs
comemos maçãs
temos as mentes sãs