e que tal contemplar o voo das máquinas?


gonçalo mattos:
acho muito bem

bruno vilão:
porque as máquinas estão perdidas no tempo e esquecidas no espaço

renato suttana:

A princípio pensei em vender-te um abismo,
ou um maço, talvez, de cem talheres gordos,
ou quem sabe a invenção de um novo esteticismo
que aprenderias imitando a voz dos tordos;

mas, depois de exaustiva e vã meditação
(que afinal me deixou mais brancos os cabelos),
cheguei solenemente à inútil conclusão
de que o alvitre melhor seria não vendê-los.

Cheguei à conclusão de que o melhor é mesmo
deitar-me no gramado e, esquadrinhando a esmo
uma nesga do céu azul de meu subúrbio,

o voo contemplar das máquinas, fremente
(tão sempre mais veloz à luz de algum distúrbio),
que às vezes passam lá aceleradamente.

manuel d’aluiza
As máquinas não voam, nós voamos
Com elas e por elas no horizonte,
Lá de dentro do qual nos avistamos
Na estrada que julgamos ver defronte.

Não são armas, são filhos como cães,
Companheiras paridas do existir
Do que ainda não somos, anciães
Vagindo de outras vidas, do porvir.

Todo o mundo e ninguém são. Contudo,
Ao erguerem a voz no universo,
Falam de nós, da Criação, de tudo

O que, sendo já no que é, por ora mudo,
Espreita e se espelha em cada verso
Buscando o que, sendo um, só é disperso.

joaquim simões:
Contemplar o voo das máquinas é repousante. Dá-nos a ilusão de comandarmos, de facto, alguma coisa, o mesmo é dizer, de que o Universo é o nosso lugar de brincadeira.
E talvez seja, de facto, verdade.

alba damião:
há 1 máquina filosófica que impede a mente de vagar, embora mantenha sua iniciativa e liberdade… é matemática aplicada ao absoluto e aliança entre o positivo e o ideal.
1 lotaria de pensamentos tão exactos quanto números…

m. almeida e sousa:
após o ruído ensurdecedor de uma máquina, desenvolvo movimentos no solo e grito: – os que procuram doces
encontram doces
porque… tudo é carnaval

nicolau saião:
Máquinas dos mundos exteriores, máquinas de gente de fora
a quem os antigos chamaram deuses (pois não possuíam uma
linguagem tecnológica) e os que depois foram a padralhada, a canalha
tonsurada com oportunismo aproveitaram para as suas negociatas.
E as pequenas máquinas (pássaros, pirilampos, crocodilos das anedotas russas, pintarroxos e pentelhudas, balões cativos e balões libertários), tudo isso
que nos anima

e enche de maravilha como se fôssem um ratinho, um noitiobó com pequenos élictros transparentes e coruscantes.

Anúncios