13 de maio & a cova de d. iria (*)


13 de maio
dona iria vai ao super-mercado comprar três pastorinhos de plástico.
em casa coloca-os no parapeito da chaminé e na marquise escreve poemas à grande deusa…
o sol eclipsa-se
um trovão
muita chuva – quase diluviana – e um monge zen paira no céu plúmbeo

-ho ho ho

disse o monge zen

– milagre! milagre…!

gritou dona iria
e
abriram-se covas.

jc dança, agora, sobre a mesa da última ceia

a grande deusa contempla-o

diz a deusa éris – não podes fazer isso…
diz jc – posso!…
diz a deusa éris – não. não podes!
diz jc – até posso fazer a minha mãe aparecer na cova da dona iria.
diz a deusa éris – ah ah ah…. és um arrogante de merda… na cova não foi a tua mãe que apareceu, foi o monge zen. o que revelou os cinco segredos. 5 é o número
e
não mais há que 5
porque 5 é a revelação da discórdia

é aqui que o monge zen passa e diz:  fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… fnord… os relógios saem do teu bolso
radiantes
e
gozam como cemitérios cercados por fadas que se prostituem por pouco dinheiro
cemitérios rasgados pelo marfim de tuas pernas

as almas erguem-se ao ritmo de uma litania
as almas erguem-se por entre urtigas

e o tempo parou para a satisfação de todos

é então que na cova da dona iria nos manifestaremos contra a ordem estabelecida
e
provocaremos o
KAOS DOCE

(*) publicado em simultâneo com a “republica das santas bicicletas


Anúncios