escreve-me…


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lábios II


somos canibais capazes de fazer relógios de bolso
os nossos lábios devoram mensagens antigas
somos bombeiros capazes de incendiar a obscuridade no outro lado do olhar
se nos sincronizamos com os mais selvagens

é bem possível que ocupemos o nosso lugar na nave da loucura

foda-se…! será que o outro eu poético se foi?

uma carta nos teus pés…


os pés não deram conta da vertigem

gritei alto pelo estreito orifício da fechadura
escalei as mais altas montanhas imaginadas na tua boca
e
juntos cavalgámos um navio de papel nos lagos calmos de nossa geografia impossível

nessa noute
nas dobras de um beijo

lemos o burburinho das vozes que o sol escurece