das letras – o poema


Anúncios

os vídeos de MAE (Museo de Arte Extemporáneo)


nas nossas muitas deslocações a “edita” (encontros de editores independentes) na região de huelva-espanha, conhecemos artistas que marcam presença. que têm marcado presença… um deles destacamos hoje pela sua criatividade, humor e sentido de oportunidade – manuel macià grande animador do projecto MAE. dele apresentamos os vídeos que se seguem:

e este último… uma montagem de manuel macia da performance de mandrágora (no início de maio em punta umbria – acção de manuel almeida e sousa e gonçalo mattos)

Poema pouco original do medo – Alexandre O’neill


Poema pouco original do medo

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
… de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

mais uma vez… em EDITA


que se sente ao viver com um lobisomem?

e

ela só disse: – situação complexa… a minha beleza é um troféu. marcante. a minha carne, a vitima.

com ele é diferente. é solicito. educado. em tudo contrário a um perturbado. ele compreende, como ninguém, a tendência para o suicídio

e

o desejo de viajar de bicicleta…

é ou foi assim que tudo começou… foi há muito tempo. 20 anos. de bicicleta…

os poetas (os da imagem) é que nos interessam. a palavra é exaustiva. cansa.

precisamente.

em 2012, mais um evento. apenas.

edita 2012 foi uma paisagem de desejos e reencontros cimentados há muito. voltámos a encontrar gente que se foi mantendo fiel às utopias em que acreditam. em que acreditamos.

a mail art, o poema visual, a performance, o jogo fonético, o livro de artista e a edição pelo prazer de emprestar a criatividade e a espontaneidade…

a crise e as crises… a mãe de todas as crises jamais nos afectarão

– que se sente ao viver o nosso quotidiano ao lado de um canibal?

nada em absoluto. já estamos habituados. faz parte do nosso percurso.

há os canibais e os outros

e

nós somos os outros.

os canibais jamais nos devorarão.

isso, sentimos cada vez que nos deslocamos a EDITA (desta feita, não de bicicleta – servimo-nos do comboio).

aí, em EDITA (punta umbria – espanha) queimámos uma bandeira

e desenvolvemos  a performance que oferecemos em imagens “mandragorianas” (com gonçalo mattos e m. almeida e sousa)