underground press I


recordando a velha “actuel nova press” – projecto editorial alternativo dos “beat” franceses dos anos 60/70

 

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descobriram os restos mortais da “Mona Lisa” em Florença


agora. agora mesmo… na altura em que o “artista” se preparava para o lançamento do seu livro… agora que a capa está feita… agorinha mesmo… que o “eu, tu e o comboio” está prestes a ver a luz do sol…

lá vem o público dizer o que se segue:

“Arqueólogos anunciam a descoberta do crânio da “Mona Lisa” em Florença
“O crânio da mulher com o sorriso mais enigmático do mundo pode ter sido descoberto, esta semana, por uma equipa de arqueólogos, em Florença, na Itália. Os restos mortais de ”Mona Lisa”, que na vida real era ao que tudo indica, Lisa Gherardini, foram encontrados no local exacto que os mapas e os registos históricos indicavam.” (publico online)

a merda é que já não dá para fazer uma capa e contra-capa como deve ser… porque não disseram isso antes?…

poetas do algarve na luz de tavira


as noites não são todas iguais. esta teve quatro fazes como a lua

tiago nené dialoga com a fé

e

o vitor… ali tão perto

o tiago, o manel, o rui dias simão, o esteves pinto

e

o braço do zé manel (antes do fado)

“o avanço tecnológico numa sociedade sem ética, a não ser do desenvolvimento e exploração a qualquer preço, torna-se numa ameaça ao mundo natural, à sobrevivência das espécies, inclusive a humana”… terá dito o bivar

e

o pessoal ouve enquanto o vitor se prepara para ler a “bicicleta”

o fadista enrola o seu cigarro (que o tempo não está de feição para luxos)

e

a joana olha para o bivar que parece falar – agora – sobre os poetas algarvios

o vitor lê (na “bicicleta”) o seu texto sobre uma performance de mandrágora em terras algarvias

e… cantou-se o fado

a fé olha sorridente o fim do repasto

fim de noite nas dobras dum cinzeiro

os poetas assoam o nariz nos travesseiros

 

ignoram os naufrágios de bicicletas 

calculam certezas no iluminado torreão

 

a poesia alimentou o estômago

como uma navalha 

como um grito escondido na memória

mas…

bem regada com vinhos a propósito 

a despropósito

 

os poetas a sul 

devoraram saladas

pois…

foi mais ou menos isso

mais para o mais 

que para o menos

e

cantou-se o fado

que o pessoal inté é aristocrata…

disse-o o zé

 

isto foi ontem – amanhã há mais

se der…

 

e

preparamos já o percurso rumo a andaluzia

aqui jaz… um poema (morto)


as movimentações ocorridas ao erguer das pálpebras

suspiram na varanda

e

de acordo com a luminosidade filtrada pela vidraça

tudo está morto

até eu…

revoluteando a acolchoada sepultura

descubro que poderei produzir

um poema —————-> profundo

pro fundo

pro fundo

pro fundo

pro fundo

pro fundo

e

no fundo

lá no fundo

sonho nuvens