devorando as incumbências do passado


esfaqueado pela luminosidade
devoro as incumbências do passado
cresço por entre ervas
e voltarei à rua que desagua no mar

qual inocente entre as pernas deste país de marinheiros

diz-me que não há água suficiente para apagar a minha sede
não quero remendar as portas que se abrem ao meu nome

estou vivo

e 
louco como me desejas
AA

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se… e se…


pressentem-se olham-se desejam-se
acariciam-se beijam-se despem-se

respiram-se deitam-se cheiram-se
e
se penetram se chupam se viram

adormecem
e
despertam

iluminam-se acariciam-se apalpam-se

se fascinam
se mordem se gostam se lambem

e
se confundem se acoplam se desagregam

se alteram
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………. e
falecem

distendem-se retocam-se estiram-se
e
se estrangulam

para
se apertarem
………………………………………………………….
………………………………………………………….
………………………………………………………. e
estremecerem

e

logo
se tactearem se juntarem se matarem
se rasgarem se enervarem se apetecerem

e
se acometerão se chocarão se acachaparão se apresarão se deslocarão
para
se perfurarem se incrustarem se equilibrarem

e

no divã
se contemplam se inflamam se derretem
e
enlouquecem

definitivamente